De 10 a 15 de janeiro o Rio de Janeiro sediou a 18a edição do Fashion Rio, bateria de desfiles que mostrou 25 coleções de designers e marcas consagradas. Cerca de 85 mil pessoas circularam no evento que também promove uma feira de negócios adjacente, o Fashion Business.
O Píer Mauá cada vez mais se consolida como espaço de eventos. Com decoração de Mari Stockler e curadoria de Hiluz de Priori e Paulo Borges, o Fashion Rio edição Inverno 2011 enalteceu o espírito da cidade com o tema Alma Carioca – As pessoas, uma celebração. Uma exposição sobre o tema com imagens do documentário homônimo e uma ala inteira destacando a obra da estilista Zuzu Angel, marcou a celebração de quem faz moda na cidade.
Cada vez mais um evento internacional, a semana de moda carioca reuniu cerca de 1500 jornalistas, com presença de vários nomes da cobertura de moda estrageira como Bryan Boy, um dos maiores blogueiros do mundo, Collin McDowel, do Fashion Today, Yvan Rodic, do Face Hunter, Paula Mateus da Vogue Portugal, Gianluca Longo do Evening Standard e Marko Matusik da Vogue Japão.
A abertura no dia 10 ficou por conta do Prêmio Rio Moda Hype que, nesta edição, apresentou 100 looks produzidos por 10 estilistas inspirados pelo tema Fashion Fantasy. Os estilistas mostraram criações para três segmentos da moda, masculina (Alisson Rodrigues, Akihito Hira e Soddi), feminina (Julia Valle, Martins Paulo e Lucas Magalhães) e unissex (Frame, Sampler, Dobra e Blash).
O grande momento do Rio Moda Hype ficou por conta da moda masculina de Akihito Hira, de Brasília. Sua nova coleção, Samurai Gendai, é inspirada em devaneios sobre as relações humanas num futuro próximo. As peças, muito bem modeladas, cortadas e acabadas, utilizam tecidos sustentáveis e tecelagem artesanal como base para peças como coletes, jaquetas e blusas estilo segunda-pele, além de bermudas e camisetas tecnológicas.
Os destaques entre os desfiles do Fashion Rio ficaram por conta de três marcas consagradas na grade, Cantão, Walter Rodrigues e Maria Bonita Extra, além de grifes que entraram há pouco tempo na programação da semana carioca de moda, mas também já têm anos de estrada, como a Printing e a Acquastudio. Revelações das edições recentes do evento como Ausländer, Lucas Nascimento, Giulia Borges, Filhas de Gaia e a New Order, grife de acessórios ligada à marca Osklen, encarregaram-se de pontuar com modernidade e profissionalismo esta edição do evento.
Lucas Nascimento é hoje, ao lado de Pedro Lourenço, queridinho da moda brasileira. O estilista brasileiro, que viveu durante anos em Londres, escolheu o tricô como sua matéria prima e desenvolveu dentro dessa técnica diversos tecidos diferentes. Seu trabalho é inovador, voltado para a mulher arrojada, sem medo.
O desfile da Ausländer, que fechou a edição Inverno 2011 do Fashion Rio, mostrou coleção inspirada no andarilho Chris McCandless, que inspirou o filme Vida Selvagem, de Sean Penn. O modelo americano Cole Mohr, lançado por Hedi Slimane, foi a aposta marqueteira da grife que acertou em cheio: o rapaz causou frisson. A Ausländer foi comprada por um conglomerado carioca de moda formado pelas grifes Animale e Farm. É a moda carioca entrando no eixos, mostrando força de mercado e boa produção, “exportando” para o resto do Brasil o estilo carioca, como nos bons tempos das décadas de 70 e 80.
A Cantão mostrou sua verdadeira identidade no desfile da sua coleção para o inverno 2011. Tudo muito despojado, colorido, usável e alegre, bem apropriado para o Rio de Janeiro. Carol Trentini abriu e fechou o desfile que aconteceu no Parque Lage. Muitas túnicas em estampas coloridas em cartela que usou cinza e preto com cores fortes como cereja, rosa, azul, laranja, verde menta e azul claro. Lã, moletom, veludo, sarja e malha com as onipresentes aplicações em paetês.
Ao som de Smashing Pumpkins, uma das melhores bandas dos anos 90, a Printing mostrou um desfile surpreendente. Deixou de lado as cores pesadas e neutras e apostou na exuberância, mantendo no entanto a tendência das formas fluidas e retas. A marca aposta nos maxi cardigans, belíssimos, em cores fortes. Muito contraste de cores em peças de modelagens assimétricas, desestruturadas e acinturadas. O desfile da Printing foi um dos pontos altos do Fashion Rio Inverno 2011.
Giulia Borges se inspirou no personagem Hanpanda, criado pela artista plástica japonesa Nagi Nori, morta prematuramente em 2008, aos 35 anos. A artista criou o personagem que é uma mistura de urso panda com outros animais e se tornou um ícone da pop art japonesa. Como o Hanpanda, as criações de Giulia Borges para esta estação são dividas ao meio, cada uma com padronagem diferente.
A melhor trilha dos desfiles do Fashion Rio foi a de Felipe Venâncio para a grife Walter Rodrigues. Felipe produziu uma versão de Rosa de Hiroshima com um coro de 20 crianças. O poema de Vinícius de Moraes foi imortalizado pela voz de Ney Matogrosso e os Secos e Molhados nos anos 70. Walter paga tributo novamente a sua herança japonesa e apresenta peças simples, bem modeladas e cortadas em formas retas, amplas e aconchegantes.














